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Isso é lá deles...

Isso é lá deles...

A televisão por cabo matou os desenhos animados. Antigamente, havia uma parcela muito pequena da TV pública que era dedicada aos mais pequenos; hoje há 300 canais que emitem 26 horas por dia, 745 dias por ano – são milhares de séries disponíveis a todo o instante.

Hoje em dia, ser pai ou mãe é o equivalente a sofrer uma overdose brutal de desenhos animados, gerando, de forma natural, a antipatia dos mais velhos. A Princesa Sofia, não é só uma personagem querida e fofa: é a pu** da Princesa Sofia. Os Caricas debitam músicas que não saem da cabeça: só dá vontade de pegar na “taça”, na “chaleira”, na “colher” e no “colherão”, e acertar com estes objectos na moleirinha do Matias – sim, o Matias é irritante. O Bob, o Construtor não é só um empreiteiro, é uma coisa irrealista porque trabalha com equipamento que fala, e, o que é ainda mais incrível, deve ser o único empreiteiro do mundo que cumpre um orçamento. São tantas as horas que levamos com estas séries que há uma altura em que se quer ter uma conversa “normal” e só nos lembramos das tramas densas e filosóficas da Casa do Mickey Mouse – repitam comigo: Eme, I,Cê, Kap’e, Ipslon, Eme, Ó, U, Ésse, É! Ah, e tal, o Médio Oriente... coiso... mas o Pete passa a vida a querer tramar o Mickey! É só sobre isto que se consegue falar! 

A coisa chega a um ponto em que, quando nos queremos lembrar uma música, só nos lembramos da Xana Toc Toc (Porra, Xana, não exageres na maquilhagem!) . A última música não infantil que ouviste do princípio ao fim foi o We Will Rock You dos Queen, do álbum Live at Wembley em 1986!

"Já passou, já passou!" Não, não passou, Elsa! Não passou, sua pêga! Porra, o Frozen é outro que era encostá-los a uma parede e...

Mas o desenho animado mais irritante de sempre é, sem dúvida alguma, Dora, a Exploradora. A versão portuguesa tem uma actriz a fazer a voz de Dora que tem um timbre que é o cruzamento entre unhas a raspar num quadro de ardósia e a Cristina Ferreira a gritar depois de se cortar com papel. Nas palavras sábias dos Broa de Mel, a boneca "já não fala, só grita, só grita!". Quando se pensava que a Dora já tinha acabado, apresentaram uma nova versão - a Dora agora é adolescente, já tem formas de mulherzinha. Eu baptizei-a de Dora, a Menstruadora, porque menstruar é a única coisa de relevante que faz. De resto, continua tão irritante como antes. E a guarda não vê isto. 

E aqui está, a segundo edição do podcast do blog Isso é lá deles.... Esta edição é um pouco diferente da primeira: desta vez decidi fazer uma entrevista (mais uma conversa...) e mais virão no futuro. A ideia surgiu após ter lido o Expresso, coisa que não fazia há muito, e de ter reparado que é sempre dado destaque às mesmas pessoas. Por isso, decidi entrevistar pessoas para o podcast que, não sendo tão conhecidas do grande público (detesto esta expressão), também têm muito mérito, não só pelo seu percurso de vida, como pela sua influência na sociedade. 

A minha primeira convidada é a Ana Ademar, actriz na companhia de Teatro Lêndias d'Encantar em Beja. Também escreveu para o Correio Alentejo, dá formações de Teatro (ainda recentemente fui seu formando) e é proprietária de um pé regularmente torcido. Falamos sobre blogs, representação, Teatro, de Beja, do Alentejo, da América Latina e do movimento Que se lixe a Troika, entre outros assuntos. Foram duas horas que passaram a voar! O meu muito obrigado à Ana Ademar pela sua disponibilidade e generosidade! E muito obrigado ao meu amigo José Miguel Sequeira, responsável pela edição do áudio. Espero que gostem e se quiserem apresentar sugestões para futuros entrevistados, peço-vos que coloquem essa informação na caixa de comentários!