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Isso é lá deles...

Isso é lá deles...

E cá está mais uma edição do podcast do Isso é lá deles..., desta vez dedicado aos piores filmes das nossas vidas - decidimos falar sobre o Velocidade Furiosa 6. O som não está perfeito já que a gravação teve de ser feita pelo telefone. Mais uma vez contei com a colaboração do Tiago Morgado e do José Miguel Sequeira (Edição e Música), a quem agradeço muitíssimo!

Espero que esta edição seja do vosso agrado e, por favor, não se esqueçam de deixar as vossas críticas e sugestões na caixa de comentários do blog. Um abraço 

 

Exmo. sr. ministro do Planeamento e Infraestruturas de Lisboa, Montijo e zonas limítrofes:

 

Espero que esteja tudo bem consigo, com a sua ministra e com os ministrinhos lá em casa. Nós por cá vamos andando como é possível. Ou melhor, não vamos a lado nenhum. Não é que não queiramos ir a algum lado, até queremos, mas não nos deixam. Acessos do terceiro mundo, uma automotora que não tem a IPO em dia e passa mais tempo na oficina do que a circular, um aeroporto que só serve para ser alvo de chacota da elite (pseudo-)urbana e (pseudo-) intelectual de Lisboa – é assim o panorama dos transportes no distrito de Beja. O seu antecessor, Mário Lino, era um visionário: da margem sul para baixo era só deserto. Pois até com camelos ficaríamos melhor servidos: só é pena que não tenham ar condicionado. Antigamente os bejenses viajavam no intercidades para Lisboa; agora deslocam-se numa automotora até Casa Branca (não aquela casa na América por onde o Trump vagueia nu – e sim, vou deixá-lo com esta imagem horrível na cabeça). Há mais bejenses a utilizar a linha do que eborenses, e com mais frequência, mas Évora tem todas as regalias. Há doentes oncológicos que vão de Beja para Lisboa fazer tratamentos em carruagens degradadas e sem ar condicionado no verão – a cabeça rapada não é o penteado da moda, é quimioterapia, sr. ministro. V. ex.ª insiste em construir um aeroporto no Montijo, terra de onde é natural. O que é que o Montijo tem a mais do que Beja? Por cá nasceram vultos da literatura mundial, como Al-Mutamid e Mariana Alcoforado! Somos um dos berços da doçaria conventual – se não sabe o que é, imagine um sundae de caramelo mas muito melhor! O que é que o Montijo deu ao mundo? O pé esquerdo do Paulo Futre e o nome ao cineteatro local de Joaquim de Almeida (um ator que se destacou em Hollywood a fazer de traficante mexicano, colombiano ou brasileiro; uma espécie de Benicio del Toro de marca branca), ele que nem sequer é do Montijo! Desculpe o tom ligeiro, sr. ministro, e desculpem-me os montijenses. Não quero ofender ninguém. O Montijo merece respeito e desenvolvimento. E Beja não? A sua atuação como ministro só vem confirmar o que já se suspeitava há muito – o discurso da classe política sobre a necessidade de desenvolver o interior é como o talento do João Pedro Pais: pode estar cheio de boas intenções, mas não vai passar muito daquilo. O único pecado de Beja é não ser suficientemente cool para a Madonna querer comprar casa por estas bandas (o que é uma parvoíce, com tantas casas boas na Colina do Carmo). É uma pena que Beja não tenha lóbi ou peso político. E também temos problemas criados por nós, é verdade, mas havia necessidade de nos dificultar tanto a vida? Lembra-se do Alqueva ou do porto de Sines? Eram elefantes brancos que não iriam a lado nenhum. Mas hoje ninguém coloca esses investimentos em causa. Por isso, peço-lhe: pense a longo prazo. Pense no País como um todo.

Saudinha.

Crónica publicada no Diário do Alentejo de 30 de Junho de 2017

E aqui está, a terceira edição do podcast do Isso é lá deles... Desta vez estive à conversa com o Hugo Lança: professor do IPBeja, colaborador do Diário do Alentejo e autor de um dos blogs mais lendários do hemisfério norte: o grande Viagra & Prozac. Falámos um pouco sobre o seu percurso de vida, mas também sobre Educação, blogs, Rádio, Beja, entre outros assuntos. Foi uma hora que passou a voar. Espero que tenham tanto gosto em ouvir como eu tive em conversar com o Hugo. 

Deixo aqui o meu agradecimento ao Hugo Lança pela sua amabilidade e diponibilidade. Aproveito para mandar um grande abraço ao grande José Miguel Sequeira, responsável pela edição do áudio deste podcast. Se quiserem apresentar sugestões para futuros entrevistados, peço-vos que coloquem essa informação na caixa de comentários! 

 

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A minha filha comprou, no Festival de Banda Desenhada de Beja, um exemplar da saga Capitão Cuecas. Desde o primeiro dia, cheio de paternalismo, gozei com o Capitão Cuecas, essa "pérola da literatura mundial". No passado fim-de-semana fomos a Lisboa e tivemos a oportunidade de ir ver o Capitão Cuecas ao cinema. Mais uma vez, exibi, com bastante parvoíce à mistura, alguma sobranceria: "Ui, vamos ver o Capitão Cuecas! Graaaaande filme, pá... Porra, mais um filme para miúdos". 

15:20, sala cinco do Almada Fórum. Estive sentado numa sala onde vi um dos melhores filmes de que me lembro, e que, no final, até teve direito a palmas. Graficamente é muito similar ao livro, impecavelmente bem escrito (com aquela precisão de relojoeiro), e com óptimas piadas que fizeram a delícia dos miúdos e dos pais. 

Mas do que mais gostei no filme foi da demonstração de que é essencial estimular a criatividade das crianças, e de que é bom preservar o direito a ser, nem que seja muito de vez em quando, um bocadinho pateta. E sim, o mundo precisa de um pouco de patetice.

É importante que preservemos e estimulemos o sentido de humor das nossas crianças. Para que crescer (e viver) não seja tão difícil como realmente é.