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Isso é lá deles...

Isso é lá deles...

Não tenhamos medo de usar as palavras: o momento mais difícil e frágil da vida de um homem é quando lhe dizem que tem de fazer um exame à próstata. Não é só a questão de lhe irem enfiar o dedo ou um instrumento no cu. É a questão de estarmos a falar de uma parte do corpo que 97% dos homens portugueses (dados do INE) não conseguem sequer pronunciar: a próstata, mais conhecida como “a prosca”. E sim, chegou a minha vez de ir fazer o referido exame. Acabei por fazê-lo em Évora, o que é, no mínimo, irónico: como bejense, passei a vida a levar por trás de Évora e vou à capital do Alto Alentejo para me irem, literalmente, ao pacote.

O primeiro momento constrangedor foi chegar à farmácia e pedir clisteres. Descobri que quando fico preocupado, exibo uma cara de parvo maior do que é habitual - só assim se percebe que a farmacêutica tenha sentido a necessidade de explicar o funcionamento do produto, como se estivesse a falar com alguém com um problema cognitivo: "ISTO É PARA INSERIR POR VIA ANAL!". O que é que se responde a um coisa destas? "Uau, obrigado, senhora farmacêutica! E eu que estava mesmo a pensar usar o recheio dos clisteres para barrar numas tostas e beber um chá com ainda mais laxantes!".

Finalmente, chega o dia. Na Clínica, fico montes de tempo à espera, e partem para o processo sem grande simpatia ou empatia, o que é deveras estranho: um momento tão, vá lá, íntimo, e nem um sorriso... Nem um convite para jantar... Fez-me relembrar que, antes de conhecer a minha mulher, fui rejeitado. Muitas vezes. Mesmo muitas vezes. Ao ponto de ficar destruído por dentro. E não há psiquiatra que cure estas cicatrizes da alma. Fui usado e deitado fora. Mas pronto…

Basicamente, a ecografia prostática consiste em tirar fotos ao nosso corpo, mas por dentro. Durante o “procedimento” – chamemos-lhe assim, para não lhe chamarmos violação da Convenção de Genebra – dei-me por contente por se estar a usar uma sonda ecográfica e não uma Canon com uma lente de 55 centímetros, ou uma daquelas máquinas à antiga, em que se tinha de colocar o braço no ar com uma merda que deitava fumo/pó branco. Estive quase tentado a perguntar à senhora que me fez o exame se a máquina tinha flash, uma vez que, por aquelas bandas, o sol não brilha mesmo.

O exame foi curto, apesar de, na minha mente, ter durado dois meses – houve ali um certo escarafunchar, não sei se para tirar fotos panorâmicas ou para resgatar os mineiros chilenos (lembram-se?). Parece estar tudo bem. Fora de brincadeiras, não é a experiência mais agradável do mundo, mas também não é um bicho de sete cabeças. Cuidem-se... Não há nada como a nossa saúde.

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