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Isso é lá deles...

Isso é lá deles...

Não, prezado leitor, não é mais um livro de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada. Pela primeira vez, este bejense de 36 anos, robusto, porém sensual, acampou com a família. O destino escolhido foi Idanha-a-Nova e o seu belíssimo parque de campismo – a “desculpa” ideal para conhecer aquela região.
Quando chegámos ao parque, fomos brindados com uma pulseira de cor amarela ou azul, o que achei muito inteligente, pois esta não só permitia identificar os campistas, como também poupava trabalho numa eventual chegada às urgências hospitalares. O azul era para pessoas com diarreia, febre ou que ouviam o Despacito; o amarelo era para as picadas de lacraus, doentes com Ébola e pessoas que diziam “top”. Abençoado Sistema de Triagem de Manchester!
O primeiro passo foi montar a tenda. Tenho uma daquelas que se montam em dois segundos. Todavia, a falta de experiência, e o facto de não ter um mestrado na área, fez com que o processo se prolongasse durante mais tempo, pois, ao abrir-se, a mesma bateu na cara da minha mulher, os óculos voaram e um dente partiu-se – e foi mesmo isto que aconteceu, não pretendo esconder um caso de violência doméstica. Pouco tempo depois, conheci o maior predador da natureza: a melga. Basta ver o seu olhar assassino para perceber isso – ao lado do parque havia uma manada de vacas; uma de 400 quilos lutou com quatro melgas, e as melgas ganharam.
Ao nosso lado ficou uma família que levou metade da casa e o catálogo completo da Campingaz de 1998. O casal evidenciava, claramente, um comportamento passivo-agressivo, o que me deixou preocupado quando reparei num enorme fogareiro e numa tonelada de Baygon. Pensei: “Ou acampam durante três meses ou isto acaba num assassínio em série”. Como entretanto não saiu nada no “Correio da Manhã”, deve ter corrido bem.
O parque estava bem equipado, tendo, inclusive, lado a lado, um campo de ténis e outro de futebol. Os campistas podiam experimentar jogar ténis durante uma hora, alugando raquetes e bolas pelo valor de dois euros. Decidimos experimentar, e fomos obrigados a assinar uma declaração (?!?!) em como nos comprometíamos a pagar as raquetes em caso de dano. Ao jogar ténis pela primeira vez descobri que poderia ser o filho perdido de Björn Borg, se lhe faltasse um cromossoma. Digo-lhe apenas, prezado leitor, que a bola de ténis entrou mais vezes na baliza do campo ao lado do que passou a rede. As raquetes foram devolvidas, e estavam intactas. Contudo, ao nível do ego, os prejuízos foram avultadíssimos.
Visitei vários lugares nas Beiras e em Espanha, mas a cereja no topo (e a palavra “topo” não é utilizada em vão) do bolo foi a ida à Serra da Estrela – se não conhece a serra da Estrela, imagine a serra da Adiça, mas um pouco maior.
Foram as melhores férias que tive na vida – vi zonas muito bonitas, embora fustigadas pelos incêndios. Um país tão bonito, e com tanto potencial, merecia melhor sorte e mais respeito por parte da classe política. Nós, pelo Alentejo, sentimos o mesmo na pele.