Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Isso é lá deles...

Isso é lá deles...

Beja a sério.png

Adoro este cartaz. Não pelo aspecto político, mas por causa da frase. Quando vejo um destes cartazes na rua só me apetece pegar num marcador e alterar a pontuação, mas não tenho os testículos para isso. "Beja a sério!" A ordem até podia ser a mesma. Há várias possibilidades.

 

"Beja? A sério?" podia ser uma frase usada num diálogo entre entre dois professores de Bragança: 
- Nem vais imaginar onde fiquei colocado?
- Onde?
- Em Beja.
- Beja? A sério? Porra que estes concursos são uma vergonha...

 

Outra hipótese. "Beja! A sério?!

Como se Beja fosse o nome de um cão e estivessem a dar-lhe um raspanete por ter feito chichi no sítio errado.

"Beja! A sério?! Porra, pá, tinha acabado de limpar a carpete!"

 

Pronto, e agora que estive a partilhar ideias que pretendem estimular a prática do vandalismo, vou-me deitar. 
Boa noite e até amanhã.

 

Exmo. sr. ministro do Planeamento e Infraestruturas de Lisboa, Montijo e zonas limítrofes:

 

Espero que esteja tudo bem consigo, com a sua ministra e com os ministrinhos lá em casa. Nós por cá vamos andando como é possível. Ou melhor, não vamos a lado nenhum. Não é que não queiramos ir a algum lado, até queremos, mas não nos deixam. Acessos do terceiro mundo, uma automotora que não tem a IPO em dia e passa mais tempo na oficina do que a circular, um aeroporto que só serve para ser alvo de chacota da elite (pseudo-)urbana e (pseudo-) intelectual de Lisboa – é assim o panorama dos transportes no distrito de Beja. O seu antecessor, Mário Lino, era um visionário: da margem sul para baixo era só deserto. Pois até com camelos ficaríamos melhor servidos: só é pena que não tenham ar condicionado. Antigamente os bejenses viajavam no intercidades para Lisboa; agora deslocam-se numa automotora até Casa Branca (não aquela casa na América por onde o Trump vagueia nu – e sim, vou deixá-lo com esta imagem horrível na cabeça). Há mais bejenses a utilizar a linha do que eborenses, e com mais frequência, mas Évora tem todas as regalias. Há doentes oncológicos que vão de Beja para Lisboa fazer tratamentos em carruagens degradadas e sem ar condicionado no verão – a cabeça rapada não é o penteado da moda, é quimioterapia, sr. ministro. V. ex.ª insiste em construir um aeroporto no Montijo, terra de onde é natural. O que é que o Montijo tem a mais do que Beja? Por cá nasceram vultos da literatura mundial, como Al-Mutamid e Mariana Alcoforado! Somos um dos berços da doçaria conventual – se não sabe o que é, imagine um sundae de caramelo mas muito melhor! O que é que o Montijo deu ao mundo? O pé esquerdo do Paulo Futre e o nome ao cineteatro local de Joaquim de Almeida (um ator que se destacou em Hollywood a fazer de traficante mexicano, colombiano ou brasileiro; uma espécie de Benicio del Toro de marca branca), ele que nem sequer é do Montijo! Desculpe o tom ligeiro, sr. ministro, e desculpem-me os montijenses. Não quero ofender ninguém. O Montijo merece respeito e desenvolvimento. E Beja não? A sua atuação como ministro só vem confirmar o que já se suspeitava há muito – o discurso da classe política sobre a necessidade de desenvolver o interior é como o talento do João Pedro Pais: pode estar cheio de boas intenções, mas não vai passar muito daquilo. O único pecado de Beja é não ser suficientemente cool para a Madonna querer comprar casa por estas bandas (o que é uma parvoíce, com tantas casas boas na Colina do Carmo). É uma pena que Beja não tenha lóbi ou peso político. E também temos problemas criados por nós, é verdade, mas havia necessidade de nos dificultar tanto a vida? Lembra-se do Alqueva ou do porto de Sines? Eram elefantes brancos que não iriam a lado nenhum. Mas hoje ninguém coloca esses investimentos em causa. Por isso, peço-lhe: pense a longo prazo. Pense no País como um todo.

Saudinha.

Crónica publicada no Diário do Alentejo de 30 de Junho de 2017

E aqui está, a segundo edição do podcast do blog Isso é lá deles.... Esta edição é um pouco diferente da primeira: desta vez decidi fazer uma entrevista (mais uma conversa...) e mais virão no futuro. A ideia surgiu após ter lido o Expresso, coisa que não fazia há muito, e de ter reparado que é sempre dado destaque às mesmas pessoas. Por isso, decidi entrevistar pessoas para o podcast que, não sendo tão conhecidas do grande público (detesto esta expressão), também têm muito mérito, não só pelo seu percurso de vida, como pela sua influência na sociedade. 

A minha primeira convidada é a Ana Ademar, actriz na companhia de Teatro Lêndias d'Encantar em Beja. Também escreveu para o Correio Alentejo, dá formações de Teatro (ainda recentemente fui seu formando) e é proprietária de um pé regularmente torcido. Falamos sobre blogs, representação, Teatro, de Beja, do Alentejo, da América Latina e do movimento Que se lixe a Troika, entre outros assuntos. Foram duas horas que passaram a voar! O meu muito obrigado à Ana Ademar pela sua disponibilidade e generosidade! E muito obrigado ao meu amigo José Miguel Sequeira, responsável pela edição do áudio. Espero que gostem e se quiserem apresentar sugestões para futuros entrevistados, peço-vos que coloquem essa informação na caixa de comentários!